CENTRALIZAÇÃO ASSISTENCIAL DAS APENDICECTOMIAS NO ESTADO DE SÃO PAULO: ANÁLISE DE FLUXOS E TENDÊNCIAS ENTRE MUNICÍPIOS (2012–2024)
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-030Palavras-chave:
Apendicectomia, Laparoscopia, Apendicite, Regionalização da saúde, Sistema Único de SaúdeResumo
As apendicectomias representam um dos procedimentos cirúrgicos de urgência mais realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), e sua organização assistencial reflete desigualdades estruturais relevantes. Este estudo ecológico de série temporal descreve a distribuição espacial, os fluxos assistenciais e as tendências temporais das apendicectomias realizadas pelo SUS no estado de São Paulo entre 2012 e 2024, com ênfase na concentração por município de internação, na adoção da abordagem laparoscópica e nos desfechos hospitalares, a partir de dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/DATASUS), incluindo internações com procedimentos de apendicectomia aberta e laparoscópica e diagnósticos CID-10 K35–K37. A concentração foi quantificada pelo índice Herfindahl-Hirschman (HHI), as tendências por regressão linear e as associações ecológicas por correlação de Pearson. Foram identificadas 305.606 apendicectomias, com redução de 269,8 casos por ano (p = 0,007); a laparoscopia cresceu de 1,7% (2012) para 21,2% (2024), com incremento de 1,43 ponto percentual ao ano (R² = 0,843; p < 0,001). A mortalidade hospitalar foi de 0,29%, sem tendência significativa, e o tempo de permanência reduziu-se de 3,5 para 3,1 dias, enquanto o custo médio aumentou de R$ 601 para R$ 780. A concentração foi elevada: 5,9% dos municípios responderam por 50% dos casos, e 78,1% não dispunham de serviço local de internação cirúrgica. Conclui-se que o estado de São Paulo apresenta elevada centralização das apendicectomias do SUS, com adoção progressiva e heterogênea da laparoscopia e fluxos inter-regionais persistentes, fornecendo evidências para o planejamento regional da rede cirúrgica de urgência.
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