A VIOLÊNCIA QUE NÃO TERMINA: PROTOCOLOS DE JULGAMENTO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, INTERSECCIONALIDADE E A CONTINUIDADE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO DIREITO DE FAMÍLIA

Autores/as

  • Ailla Carla Farias dos Santos

DOI:

https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-205

Palabras clave:

Conselho Nacional de Justiça, Direito de Família, Guarda Compartilhada, Interseccionalidade, Protocolos de Julgamento, Violência Doméstica, Violência Vicária

Resumen

O presente artigo examina a maneira pela qual o direito de família brasileiro, historicamente construído sobre a presunção de neutralidade entre conjugalidade e parentalidade, tem funcionado, em determinado número de casos, como espaço de continuidade e reprodução da violência doméstica sofrida por mulheres. A partir da análise dos Protocolos para Julgamento com Perspectiva de Gênero e com Perspectiva Racial, instituídos pelas Resoluções números 492, de 2023, e número 598, de 2024, do Conselho Nacional de Justiça, o texto propõe a interseccionalidade como método necessário e indispensável à leitura de processos de guarda, de visitação e de alimentos. Examina-se, ainda, a Lei número 14.713, de 30 de outubro de 2023, e o precedente da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial número 1.629.994, proveniente do Rio de Janeiro, para discutir os limites e as contradições da presunção legal de guarda compartilhada diante de histórico documentado de violência doméstica. Conclui-se que a superação da chamada violência vicária no direito de família depende tanto da correta aplicação substantiva, não meramente formal, dos protocolos do Conselho Nacional de Justiça quanto de uma reformulação profunda da formação jurídica que ainda, frequentemente, ensina o direito de família como campo juridicamente neutro, desconectado de estruturas de poder, gênero e raça.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Citas

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. ISBN: 978-8525065297. Disponível em: https://www.suelicarneiro.com.br/.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Recomendação nº 128, de 15 de fevereiro de 2022. Recomenda a adoção do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero. Brasília: Diário da Justiça Eletrônico, 2022. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/protocolo-para-julgamento-com-perspectiva-de-genero/. Acesso em: 21 ago. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 492, de 17 de março de 2023. Estabelece diretrizes para adoção de perspectiva de gênero nos julgamentos. Brasília: Diário da Justiça Eletrônico, 2023. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/protocolo-para-julgamento-com-perspectiva-de-genero/atos-normativos/. Acesso em: 21 ago. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 598, de 22 de novembro de 2024. Estabelece diretrizes para adoção de perspectiva racial nos julgamentos. Brasília: Diário da Justiça Eletrônico, 2024. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/11/protocolo-para-julgamento-com-perspectiva-racial-1.pdf. Acesso em: 21 ago. 2026.

BRASIL. Lei nº 13.058, de 22 de dezembro de 2014. Altera os arts. 1.583, 1.584, 1.585 e 1.634 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), para estabelecer o regime de guarda compartilhada. Brasília: Diário Oficial da União, 2014.

BRASIL. Lei nº 14.713, de 30 de outubro de 2023. Altera o Código Civil para proibir a guarda compartilhada quando houver risco de violência doméstica. Brasília: Diário Oficial da União, 2023. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14713.htm. Acesso em: 21 ago. 2026.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 1.629.994, Rio de Janeiro. Terceira Turma. Relatora: Ministra Nancy Andrighi. Julgado em 11 de outubro de 2022. Disponível em: https://www.stj.jus.br/. Acesso em: 21 ago. 2026.

CRENSHAW, Kimberlé. Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics. University of Chicago Legal Forum, vol. 1989, n. 1, p. 139-167, 1989. Disponível em: https://chicagounbound.uchicago.edu/uclf/vol1989/iss1/8/.

CRENSHAW, Kimberlé. Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence against Women of Color. Stanford Law Review, vol. 43, n. 6, p. 1241-1299, 1991. DOI: 10.2307/1229039.

HEEMANN, Thimotie Aragon. Violência vicária: a instrumentalização dos filhos como forma de violência contra a mulher. Instituto Brasileiro de Direito de Família, 2022. Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/.

INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DE FAMÍLIA. Sancionada lei que impede guarda compartilhada em caso de violência doméstica. Comentário de Fernando Salzer e Silva. IBDFAM, 2023. Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/.

Publicado

2026-09-18

Cómo citar

dos Santos, A. C. F. . (2026). A VIOLÊNCIA QUE NÃO TERMINA: PROTOCOLOS DE JULGAMENTO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, INTERSECCIONALIDADE E A CONTINUIDADE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO DIREITO DE FAMÍLIA. South American Sciences, 6(2), e26431. https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-205