CONCEITOS EVOLUTIVOS DA AÇÃO DE FÁRMACOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DOS MODELOS DE INTERAÇÃO FÁRMACO-RECEPTOR
DOI:
https://doi.org/10.63330/sasciencesv6n2-213Palavras-chave:
Ação de Fármacos, Mecanismos Moleculares, Teoria da Ação de FármacosResumo
Esta revisão sintetizou a evolução dos principais modelos teóricos da ação dos fármacos e das interações fármaco-receptor, com base em buscas no PubMed/NCBI, SciELO e BVS-BIREME/OPAS/OMS, complementadas por obras de referência. Desde a proposta de Langley sobre “substâncias receptivas” e o princípio de Ehrlich, segundo o qual os fármacos atuam mediante ligação a alvos específicos, a farmacodinâmica desenvolveu modelos quantitativos. A Lei da Ação das Massas estabeleceu a reversibilidade da ligação e sua dependência da afinidade, expressa pelo Kd. A teoria da ocupação de Clark relacionou resposta e ocupação de receptores, mas evidências posteriores demonstraram que a ocupação isolada não explica a variabilidade dos efeitos. Ariëns e Stephenson introduziram atividade intrínseca e eficácia, distinguindo ligação de ativação e explicando agonistas totais e parciais, antagonistas e receptores reserva. Modelos posteriores incorporaram a flexibilidade conformacional, substituindo paradigmas estáticos por abordagens dinâmicas. Teorias de dois ou múltiplos estados e da perturbação macromolecular explicam atividade constitutiva, agonismo inverso e sinalização enviesada. Assim, a farmacologia moderna compreende a ação dos fármacos como fenômeno dinâmico, dependente de afinidade, eficácia, conformação e sinalização em diferentes contextos celulares.
Downloads
Referências
Adelusi, T. I. et al. Molecular modeling in drug Discovery. Informatics in Medicine Unlocked, London, v. 29, p. 1-18 (100880), 2022.
Aloui, M. et al. QSAR modelling, molecular docking, molecular dynamic and ADMET prediction of pyrrolopyrimidine derivatives as novel Bruton’s tyrosine kinase (BTK) inhibitors. Saudi Pharmaceutical Journal, London, v. 32, n. 1, p. 1-17 (101911), 2024.
Ariëns, E. J. Affinity and intrinsic activity in the theory of competitive inhibition. I. Problems and theory. Archives Internationales de Pharmacodynamie et de Therapie, Ghent, v. 99, n. 1, p. 32-49, 1954.
Aronson, J. K.; Ferner, R. E. The law of mass action and the pharmacological concentration-effect curve: resolving the paradox of apparently non‐dose‐related adverse drug reactions. British Journal of Clinical Pharmacology, Oxford, v. 81, n. 1, p. 56-61, 2015.
Berg, K. A.; Clarke, W. Making sense of pharmacology: inverse agonism and functional selectivity. International Journal of Neuropsychopharmacology, Oxford, v. 21, n. 10, p. 962-977, 2018.
Buchwald, P. A three-parameter two-state model of receptor function that incorporates affinity, efficacy, and signal amplification. Pharmacology Research & Perspectives, Hoboken, v. 5, n. 3, p. 1-24 (e00311), 2017.
Buchwald, P. A receptor model with binding affinity, activation efficacy, and signal amplification parameters for complex fractional response versus occupancy data. Frontiers in Pharmacology, Lausanne, v. 10, p. 1-27 (605), 2019.
Buchwald, P. A single unified model for fitting simple to complex receptor response data. Scientific Reports, London, v. 10, p. 1-17 (13386), 2020.
Belleau, B. A molecular theory of drug action based on induced conformational perturbations of receptors. Journal of Medicinal Chemistry, Washington, v. 7, n.6, p. 776-784, 1964.
Calabrese, E. J. The emergence of the dose-response concept in biology and medicine. International Journal of Molecular Sciences, Basel, v. 17, n. 12, p. 1-14 (2034), 2016.
Cavalcante, L. T. C.; Oliveira, A. A. S. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p. 83-102, 2020.
Clarke, W. P.; Bond, R. A. The elusive nature of intrinsic efficacy. Trends Pharmacological Sciences, London, v. 19, n. 7, p. 270-276, 1998.
De Nucci, G. Tratado de Farmacologia Clínica. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. 1248p.
Deiab, G. I. A.; Saadah, L. M.; Basheti, I. A. Using drug chemical structures in the education of pharmacology and clinical therapeutics key concepts. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, São Paulo, v. 58, p. 1-15 (e21070), 2022.
Fechete, I. Hermann Emil Fischer - The most outstanding chemist in history. Comptes Rendus Chimie, Paris, v. 19, p. 1143-149, 2016.
Ferreira, L. G. et al. Molecular docking and structure-based drug design strategies. Molecules, Basel, v. 20, n. 7, p. 13384-13421, 2015.
Finlay, D. B.; Duffull, S. B.; Glass, M. 100 years of modelling ligand–receptor binding and response: A focus on GPCRs. British Journal of Pharmacology, London, v. 177, n. 7, p. 1472-1484, 2020.
Golan, D. E. et al. Princípios de Farmacologia: A base fisiopatológica da farmacologia. 3a ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 933p.
Kamepalli, S. et al. Molecular mechanisms of signaling transduction pathways of drug target molecules with recent advancements and future perspectives for successful therapy: a comprehensive and exploratory review. Beni-Suef University Journal of Basic and Applied Sciences, Beni Suef, v. 14, p. 1-20 (51), 2025.
Katzung, B. G.; Vanderah, T. W. Farmacologia Básica e Clínica. 15a ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. 1234p.
Kenakin, T. New concepts in pharmacological efficacy at 7TM receptors: IUPHAR Review 2. British Journal of Pharmacology, London, v. 168, n. 3, p. 554–575, 2013.
Kenakin, T. The mass action equation in pharmacology. British Journal of Clinical Pharmacology, Oxford, v. 81, n. 1, p. 41-51, 2015.
Kenakin, T. P. A Pharmacology Primer - Techniques for More Effective and Strategic Drug Discovery. 6th ed., Cambridge: Academic Press, 2022. 502p.
Koshland, D. E. The key-lock theory and the induced fit theory. Angewandte Chemie International Edition in English, Weinheim, v. 33, p. 2375-2378, 1994.
Leff, P. The two-state model of receptor activation. Trends in Pharmacological Sciences, Amsterdam, v. 16, n. 3, p. 89-97, 1995.
Maehle, A-H.; Prüll, C-R.; Halliwell, R. F. The emergence of the drug receptor theory. Nature Reviews - Drug Discovery, London, v. 1, p. 637-641, 2002.
Maehle, A-H. “Receptive Substances”: John Newport Langley (1852–1925) and his path to a receptor theory of drug action. Medical History, Cambridge, v. 48, n. 2, p. 153–174, 2004.
Mitra, S. P. Drug-receptor interaction: pharmacology, binding and thermodynamics - A review. Journal of Surface Science and Technology, Bangalore, v. 25, n. 3-4, p. 103-152, 2009.
Nickerson, M. Receptor occupancy and tissue response. Nature, London, v. 178 (4535), p. 697-698, 1956.
Rocha, V. N.; Sant’anna, C. M. R. From origin to current methods: An overview of molecular modeling applied to medicinal chemistry in the last 30 years. Journal of the Brazilian Chemical Society, São Paulo, v. 35, n. 10, p. 1-16 (e-20240103), 2024.
Sharma, G.; Bajaj, P.; Rani, A. A review of drug-receptor interactions in biological systems. Journal of Emerging Technologies and Innovative Research, Ahmedabad, v. 11, n. 8, p. e887-e894, 2024.
Stephenson, R. P. A modification of receptor theory. British Journal Pharmacology, London, v. 11, n. 4, p. 379-393, 1956.
Suvarna, B. S. Drug - Receptor Interactions. Kathmandu University Medical Journal, Kathmandu, v. 9, n. 3, p. 203-207, 2011.
Swillens, S.; Dumont, J. E. Non-linear coupling between receptor occupancy and biologic effect as a requirement for a higher drug efficacy. Molecular and Cellular Endocrinology, Amsterdam, v. 20, n. 3, p. 233-342, 1980.
Valent, P. et al. Paul Ehrlich (1854-1915) and his contributions to the foundation and birth of translational medicine. Journal of Innate Immunity, Basel, v. 8, n. 2, p.111–120, 2016.
Verli, H.; Barreiro, E. J. Um paradigma da química medicinal: A flexibilidade dos ligantes e receptores. Química Nova, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 95-102, 2005.
Welsch, M. E.; Snyder, S. A.; Stockwell, B. R. Privileged scaffolds for library design and drug discovery. Current Opinion in Chemical Biology, Amsterdam, v. 14, n. 3, p. 347-61, 2010.
Whalen, K.; Finkel, R.; Pavanelil, T. A. Farmacologia Ilustrada. 6ª ed., Editora Artmed: São Paulo, 2016. 670p.
Wyllie, D. J. A.; Chen, P. E. Taking the time to study competitive antagonism. British Journal of Pharmacology, London, v. 150, n. 5, p. 541–551, 2007.
Yu, C. X.; Tham, C. L. Drug discovery and development: A historical overview, current challenges and perspectives. Life Sciences, Medicine and Biomedicine, Kuala Lumpur, v. 8, n. 1, p. 1-11 (137), 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autores concordam com os seguintes termos:
a) Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a LicençaAttribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial na Revista SAS. A licença permite o uso, a distribuição e a reprodução irrestrita, em qualquer meio, desde que devidamente citada a fonte. Essa licença permite também que outros remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a você o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos.
b) Não cabe aos autores compensação financeira a qualquer título, por artigos ou resenhas publicados na South American Sciences.
c) Os conceitos expressos nos artigos publicados na South American Sciences são de inteira responsabilidade de seus autores.
